O número que confirma o ciclo

O Escritório Regional do Litoral Norte do Sinduscon-RS acaba de publicar um levantamento que coloca em perspectiva o que tem acontecido nesse mercado. No primeiro semestre de 2026, os 23 municípios do Litoral Norte movimentaram R$ 3,74 bilhões em Valor Geral de Vendas. O dado é baseado na arrecadação do ITBI — o imposto que incide sobre cada transferência de propriedade registrada em cartório — e é hoje o indicador mais confiável para medir o volume real de transações no mercado regional.

Para entender o peso desse número: em 2025 inteiro, o litoral norte registrou R$ 7,36 bilhões em VGV, que já havia sido o maior ano da história da região. O primeiro semestre de 2026 equivale a 50,8% desse total em apenas seis meses. Se o ritmo do segundo semestre se mantiver próximo do primeiro, o ano fecha acima de R$ 8 bilhões.

R$ 3,74 bi
VGV 1º semestre 2026
23 municípios · fonte ITBI
R$ 8,27 bi
Projeção 2026
novo recorde histórico
+12,5%
Crescimento projetado
vs. 2025 (R$ 7,36 bi)
54%
Concentração
Capão da Canoa + Xangri-Lá
Fonte: Sinduscon-RS · Escritório Regional Litoral Norte · Levantamento de julho de 2026 com base na arrecadação do ITBI dos 23 municípios da região. Iniciativa do vice-presidente Ramiro Chaves Laurent.

O ranking dos 23 municípios

O levantamento detalha o volume de cada município. A concentração nos dois primeiros colocados é expressiva — Capão da Canoa e Xangri-Lá juntos representam mais da metade de tudo que foi negociado na região no semestre.

# Município VGV — 1º sem. 2026
1 Capão da Canoa R$ 1,094 bilhão
2 Xangri-Lá R$ 939 milhões
3 Torres R$ 442,5 milhões
4 Tramandaí R$ 356,8 milhões
5 Imbé R$ 294,2 milhões
6 Osório R$ 168,2 milhões
7 Arroio do Sal R$ 163,8 milhões
Demais municípios R$ 281,7 milhões

Capão da Canoa com R$ 1,094 bilhão só no primeiro semestre merece atenção especial. Em todo o ano de 2025, o município havia registrado R$ 1,9 bilhão em VGV — que era o recorde histórico da cidade. Em seis meses de 2026, já alcançou 57,6% desse total. O ritmo atual aponta para um 2026 com volume entre R$ 2,1 e R$ 2,3 bilhões apenas em Capão.

Minha leitura: esses números são resultado de ITBI registrado — não de promessas de venda ou reservas. Cada real contabilizado aqui representa uma escritura assinada, um imóvel que mudou de mão. Isso torna o dado mais robusto do que qualquer pesquisa de intenção de compra. O mercado não está apenas aquecido na conversa — está aquecido nos cartórios.


Por que Capão da Canoa e Xangri-Lá lideram

A concentração de 54% do volume nessas duas cidades não é acaso. Capão da Canoa tem a maior variedade de produto — de apartamentos compactos a condomínios horizontais de alto padrão — e a melhor infraestrutura urbana do litoral norte, o que sustenta tanto o comprador de primeira residência quanto o investidor. Xangri-Lá opera num nicho mais específico: condomínios fechados de alto padrão, lotes acima de R$ 500 mil, ticket médio que não encontra equivalente em nenhuma outra cidade do litoral.

O que explica a aceleração em 2026 não é um fator isolado — é uma combinação que raramente aparece ao mesmo tempo. A Selic em queda libera capital que antes estava confortável na renda fixa. A valorização consistente dos últimos anos criou um histórico que o comprador conservador passou a reconhecer. E a escassez de estoque qualificado — especialmente em condomínios fechados de alto padrão em Xangri-Lá — criou uma assimetria entre demanda e oferta que pressiona os preços para cima e acelera as decisões.

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O que a projeção de R$ 8,27 bilhões significa

A expectativa de Ramiro Chaves Laurent, vice-presidente do Sinduscon-RS e coordenador regional do Litoral Norte, é que o mercado ultrapasse R$ 8,27 bilhões até dezembro. Esse número representa crescimento de 12,5% sobre o recorde de 2025 — num ano em que a expectativa inicial do setor era de estabilidade ou leve crescimento.

O segundo semestre historicamente concentra maior volume de transações no litoral norte, puxado pela temporada de verão e pelos lançamentos que as construtoras concentram entre setembro e novembro. Se esse padrão se repetir em 2026, a projeção de R$ 8,27 bilhões é conservadora.

O que isso muda para quem está avaliando comprar: num mercado em que o VGV cresce 12,5% ao ano e o estoque de alto padrão diminui, a lógica de "esperar para ver" funciona contra o comprador. Cada mês de observação é um mês em que os preços avançam, o estoque encolhe e as condições de entrada ficam menos favoráveis. O dado do Sinduscon não é promoção de vendas — é o registro do que já aconteceu.


O que sustenta esse crescimento além dos números

Acompanho esse mercado de dentro, visitando clientes, construtoras e condomínios uma a duas vezes por semana. O que o dado do Sinduscon confirma é o que eu vejo nas conversas: o perfil do comprador mudou. Ele chegou mais preparado, com mais informação, com mais clareza sobre o que quer. Não é o comprador de impulso de verão de dez anos atrás. É alguém que pesquisou, comparou, e chegou até a visita técnica já tendo feito a lição de casa.

Esse amadurecimento do comprador é um sinal de maturidade do mercado — não de euforia. Mercados em bolha têm compradores impulsivos e desinformados. O que estou vendo aqui é o oposto: decisões mais longas, mais racionais, com maior volume unitário. E é exatamente por isso que o crescimento tem sido sustentado em vez de pontual.

Cenário GB — Agosto 2026: R$ 3,74 bilhões em seis meses, com Capão da Canoa e Xangri-Lá respondendo por mais da metade. A projeção de R$ 8,27 bilhões para o ano é o recorde histórico batendo em cima do recorde anterior. Para quem está no mercado de alto padrão no litoral norte, os dados de 2026 não deixam dúvida sobre a direção do ciclo. A questão para o investidor não é mais se o mercado vai crescer — é em qual produto, em qual localização e em qual momento de entrada ele vai capturar esse crescimento.

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