Indicadores do mês
Terceiro corte seguido — o ciclo ganha forma
Na reunião dos dias 16 e 17 de junho, o Copom reduziu a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano, por decisão unânime. É o terceiro corte consecutivo de 0,25 ponto percentual, completando três quartos de ponto desde março. O movimento consolida o ciclo de flexibilização que o Banco Central vinha sinalizando desde o início do ano.
O comunicado manteve tom cauteloso. O comitê destacou que as expectativas de inflação seguem desancoradas, com o IPCA projetado acima do teto da meta para 2026 e 2027. O cenário externo, ainda marcado pelos reflexos do conflito no Oriente Médio sobre os preços de commodities, também pesou na linguagem mais conservadora. A mensagem implícita: o ciclo continua, mas sem pressa para acelerar o ritmo.
Projeção de mercado: o Boletim Focus de junho aponta a Selic em torno de 13,50% ao fim de 2026, com a maioria das instituições projetando mais dois ou três cortes até dezembro. O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, com o Fed mantendo os juros americanos acima de 3,5%, segue sustentando o real e contendo a pressão cambial sobre a inflação.
Para o investidor imobiliário, três cortes consolidados já produzem efeito perceptível: as tabelas de financiamento dos bancos privados e da Caixa começaram a ser revisadas no segundo trimestre. Quem ainda está avaliando a posição compra com o crédito mais barato do que há seis meses, mas antes que o mercado precifique plenamente esse movimento.
IPCA de maio — energia elétrica assume o papel dos combustíveis
O IPCA de maio fechou em 0,58%, acima do esperado pelo mercado, que projetava 0,53%. O acumulado em 12 meses subiu para 4,72%, o maior patamar do ano até então. A alta veio de um conjunto de grupos, sem um único vilão dominante.
O destaque individual foi a energia elétrica residencial, que subiu 3,67% e respondeu por 0,15 ponto percentual do índice total — o maior impacto individual do mês. Alimentos e bebidas mantiveram pressão, com alimentação no domicílio avançando 1,65%, influenciada por batata-inglesa (+44,69%), tomate (+20,62%), cebola (+16,80%) e carnes (+1,39%). Transportes aliviou com a queda nos combustíveis — etanol recuou 6,20%, gasolina caiu 1,46%.
Acumulado acima do teto: com 4,72% em 12 meses, o IPCA segue acima do teto da meta de 4,5%. A pressão migrou dos combustíveis para energia elétrica e alimentos, dois grupos que respondem com mais lentidão à política monetária. O Banco Central mantém o ciclo de cortes, mas o espaço para acelerar o ritmo é estreito enquanto esses números não convergirem.
O que cada índice significa na prática
| Índice | Valor | 12 meses | Impacto para o investidor |
|---|---|---|---|
| Selic / CDI | 14,25% a.a. | ▼ −0,75 pp (ciclo) | Terceiro corte confirma o ciclo. Financiamento imobiliário mais barato do que em qualquer ponto de 2025. |
| IPCA | 0,58% (mai) | 4,72% | Acima do esperado. Energia elétrica e alimentos pressionam. Acumulado em 12 meses no pico do ano. |
| INCC-M | 0,77% (mai) | 6,57% | Custo da construção segue acima do IPCA. Parcelas de imóveis na planta corrigidas acima da inflação geral. |
| IGP-M | +0,84% (mai) | +3,27% no ano | Segundo mês positivo seguido após o período negativo. Contratos de aluguel indexados ao IGP-M apontam reajuste no próximo aniversário. |
O INCC-M e a compra na planta
O INCC-M acumulou 6,57% nos últimos 12 meses em maio, mantendo o ritmo de pressão sobre os custos da construção civil. A mão de obra foi o principal componente de aceleração no mês, passando de 0,24% em abril para 0,43% em maio. Para quem compra na planta, as parcelas durante a obra seguem esse índice. Cada mês de avanço da obra aumenta a base sobre a qual o INCC incide. Entrar no início da obra continua sendo a posição que minimiza essa correção acumulada.
O IGP-M e o aluguel de temporada
O IGP-M registrou 0,84% em maio, o segundo resultado positivo consecutivo após o ciclo de quedas que marcou o início do ano. O acumulado no ano chegou a 3,27%. Contratos de aluguel residencial indexados ao IGP-M que venciam no segundo semestre não têm mais espaço para renegociação com desconto. O aluguel de temporada no litoral norte, que opera por diária e responde à ocupação e à localização, segue fora da lógica desse índice.
O que acompanhar nos próximos meses
- Próxima reunião do Copom: dias 4 e 5 de agosto. O mercado projeta novo corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic a 14% — desde que o IPCA de junho não surpreenda para cima e o cenário externo não piore.
- IPCA de junho: divulgado em meados de julho. O termômetro será se a energia elétrica arrefece ou se a pressão de habitação continua pressionando o índice.
- INCC do segundo semestre: com mão de obra pressionada e materiais ainda em alta acumulada de dois dígitos em alguns subgrupos, o custo da construção deve permanecer acima do IPCA por mais alguns meses.
- Lançamentos no litoral norte: o segundo semestre tende a concentrar os principais anúncios do setor, aproveitando o ciclo de queda dos juros e a demanda represada de compradores que postergaram a decisão em 2025.
Cenário GB — Junho 2026: o terceiro corte da Selic em sequência muda a psicologia do mercado. Não é mais uma possibilidade — é um ciclo confirmado. O IPCA de maio veio acima do esperado, o que mantém o Banco Central cauteloso no ritmo, mas não reverte a direção. Para o litoral norte, o segundo semestre de 2026 começa com crédito mais barato, demanda qualificada ativa e estoque de alto padrão enxuto. Quem tomar posição agora compra na janela antes que o mercado mais amplo precifique essas mudanças nos preços dos imóveis.
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